Por que o genocidio negro?

O termo ‘genocidio antinegro’ pode parecer estranho a uma comunidade intelectual e sociedade civil elas mesmas comprometidas com as políticas de desvalorização da vida negra. Seguimos uma tradição radical negra que recusa o debate estéril sobre a existencia do racismo e demarca nas ruas e na academia, os terrenos políticos da luta contra a opressão racial. Nossa análise e nossa pratica política são fundados no reconhecimento de um padrão de opressão racial que produz mortes previsíveis e preveníveis. São mortes políticas porque baseadas no pertencimento racial e na condição de gênero das vítimas. Além dos números de mortes pelo estado policial estão as mortes cotidianas das gentes negras na fila dos hospitais, na rua, na cozinha das elites, no campo e na cidade, na favela e na prisão. Embora os dados apresentados aqui desafiem a negação do genocídio antinegro, admiti-lo requereria por em xeque a existência mesmo do Estado e da nação brasileira. De nossa parte, os terrenos estão bem demarcados: o desmonte do estado genocída somente é possível com a destruição da antinegritude que o mantém.