O genocídio da juventude negra

Leandro Queiroz, Portal Geledéz

A morte sistemática de jovens negros no Brasil é uma realidade que estampam capas de noticiários dentro e fora do país. O movimento negro, além de enterrar os corpos, daqueles que não desaparecem misteriosamente, vem diariamente denunciando o assombroso aumento do número de homicídios da nossa juventude. Alguns grupos definem este cenário de morte como sendo de extermínio da juventude negra, outros defendem a existência de genocídio. Clique aqui para continuar lendo o texto.

Black Lives Do Not Matter

João vargas, Cultural Anthropology

For a moment, let us suspend the assumption that formations of state and sociality in the United States are exceptional, unique in nature and process, which bear little or no relation to those found in other parts of the planet. Instead, let us relate the long duration of extralegal killings of Black persons by the police in this country to patterns that characterize societal management of life and death in the Black Diaspora. Patterns of Black suffering in the United States are fundamentally related to those in Canada, the United Kingdom, Jamaica, South Africa, Colombia, Peru, Ecuador, and Brazil. Clique aqui para continuar lendo o texto em inglês.

A Cor dos homicídios no Brasil

Julio Jacobo Waiselfisz, Unesco

Considerando o país como um todo, o número de homicídios brancos caiu de 18.867 em 2002 para 14.047 em 2010, o que representa uma queda de 25,5% nesses oito anos. Já os homicídios negros tiveram um forte incremento: passam de 26.952 para 34.983: aumento de 29,8%. Destacam-se, pelos pesados aumentos de vítimas negras: Pará, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte.

  • A Região Norte e, em segundo lugar, a Região Nordeste, são as que evidenciaram maior crescimento no número de homicídios negros: 125,5% e 96,7% respectivamente, entre os anos 2002 e 2010.
  • Individualmente, Bahia, Paraíba e Pará foram as unidades que tiveram maior crescimento no seu número de homicídios negros nesse mesmo período, mais que triplicando em 2010 os números de 2002.
  • Já os Estados de Alagoas, Espírito Santo e Paraíba são os que apresentaram as maiores taxas de homicídios negros: 80,5; 65,0 e 60,5 para cada 100 mil negros. São níveis altamente preocupantes. Se considerarmos que o Brasil, nesse ano, apresentou uma taxa geral de 27,4 homicídios em 100 mil habitantes e essa taxa foi a quinta maior do mundo entre 90 países pesquisados, teríamos que Alagoas, quanto a homicídios negros, apresenta um índice três vezes maior.
  • As Taxas de Vitimização Negra, calculados para as unidades da federação resultam da relação entre as taxas de homicídio de brancos e as taxas de negros. O que esse índice nos diz? Em que proporção existe mais vítimas de homicídio negras do que brancas. Se a taxa é zero, morre a mesma proporção de negros e brancos. Se o índice é negativo, morrem proporcionalmente mais brancos que negros. Se for positivo, morrem mais negros que brancos. Assim, um índice nacional de vitimização de 65,4 no ano de 2002, como mostra a Tabela 3.2 indica que, nesse ano, morreram proporcionalmente 65,4% mais negros do que brancos.
  • Vemos nessa tabela 3.2 que, se no ano 2002 a vitimização negra foi de 65,4%, no ano de 2006 cresceu para 90,8% e, no ano de 2010 foi ainda maior: 132,3%. Isto é, por cada branco vítima de homicídio proporcionalmente morreram 2,3 negros pelo mesmo motivo.
  • E preocupa enormemente não só o elevado índice de vitimização negra que encontramos em 2010. Preocupa mais ainda a tendência crescente do problema. Os níveis atuais de vitimização negra já são intoleráveis,mas se nada for feito de forma imediata e drástica, a vitimização negra no país poderá chegar a patamares inadmissíveis pela humanidade.

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Crianças negras morrem mais de acidentes no Brasil do que as brancas

Valéria Mendes, Uai.com

Apesar de o número de óbitos por razões acidentais ter diminuído em 31% de 2001 a 2014, a incidência de mortes entre meninos e meninas negros aumentou ao longo desse período. Relatório da Criança Segura sinaliza que acidentes têm viés de ordem social e levanta ainda a hipótese de que mais pessoas estão se autodeclarando como negras ao longo dos anos. Continue lendo...